Severidade do oídio do meloeiro em função do aumento da temperatura e da concentração de dióxido de carbono - DOI:10.5039/agraria.v14i4a6916

Ana Laíla Souza Araújo, Francislene Angelotti, Pedro Martins Ribeiro Junior

Resumo


A elevação do CO2 e da temperatura podem afetar o progresso de doenças de plantas. Nesse sentido, o objetivo deste estudo foi avaliar o impacto do aumento da concentração de dióxido de carbono e da temperatura sobre o oídio do meloeiro. Os experimentos foram realizados em câmaras de crescimento, do tipo Fitotron, com controle de temperatura, umidade e luz. As plântulas foram submetidas a dois regimes de temperatura (20-26-33 °C e 24-30-37 °C) e a duas concentrações de CO2 (410 e 770 ppm). Foram utilizadas nove cultivares de meloeiro Araguaia, Awton, Eldorado, Gladial, Gold, Hibix, Natal, Juazeiro e Sancho. As plântulas do meloeiro foram pulverizadas com uma suspensão de conídios e mantidas em condições controladas para avaliar o progresso da doença. Juntamente com a última avaliação da severidade foi realizada a quantificação de conídios. O aumento da temperatura e da concentração de CO2, assim como a interação desses fatores, reduz a severidade do oídio do meloeiro e a esporulação de Oidium sp., com resposta diferenciada para as cultivares de meloeiro, com severidade de 50%, indicando alta suscetibilidade. O período de incubação do oídio do meloeiro aumenta com o incremento de CO2 e aumento da temperatura.

 

 

 

A elevação do CO2 e da temperatura podem afetar o progresso de doenças de plantas. Nesse sentido, o objetivo deste estudo foi avaliar o impacto do aumento da concentração de dióxido de carbono e da temperatura sobre o oídio do meloeiro. Os experimentos foram realizados em câmaras de crescimento, do tipo Fitotron, com controle de temperatura, umidade e luz. As plântulas foram submetidas a dois regimes de temperatura (20-26-33 °C e 24-30-37 °C) e a duas concentrações de CO2 (410 e 770 ppm). Foram utilizadas nove cultivares de meloeiro Araguaia, Awton, Eldorado, Gladial, Gold, Hibix, Natal, Juazeiro e Sancho. As plântulas do meloeiro foram pulverizadas com uma suspensão de conídios e mantidas em condições controladas para avaliar o progresso da doença. Juntamente com a última avaliação da severidade foi realizada a quantificação de conídios. O aumento da temperatura e da concentração de CO2, assim como a interação desses fatores, reduz a severidade do oídio do meloeiro e a esporulação de Oidium sp., com resposta diferenciada para as cultivares de meloeiro, com severidade de 50%, indicando alta suscetibilidade. O período de incubação do oídio do meloeiro aumenta com o incremento de CO2 e aumento da temperatura. 


Palavras-chave


CO2; Cucumis melo L.; cultivares; mudança climática; Oidium sp.

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