Produção de mudas de Bertholletia excelsa em resposta a origem da semente e posição no interior do fruto - DOI:10.5039/agraria.v14i3a5662

Luiz Fernandes Silva Dionisio, Edgar Cusi Auca, Gustavo Schwartz, Ricardo Manuel Bardales-Lozano, Ronald Corvera-Gomringer, Jimmy Jeanine Miró Agurto

Resumo


Bertholletia excelsa, conhecida como castanha-do-brasil, é uma espécie arbórea economicamente valiosa na Amazônia. Sementes de B. excelsa aparecem como um dos produtos florestais não-madeireiros mais importantes na Bolívia, Brasil e Peru. No entanto, estas sementes possuem dormência fisiológica, o que torna a germinação lenta, irregular e frequentemente em baixas percentagens. Tal característica biológica representa um gargalo para a produção de mudas de alta qualidade. Em um experimento em Puerto Maldonado, Peru, dez frutos foram coletados por indivíduo em 15 árvores de B. excelsa em cada uma de duas áreas: um plantio experimental e uma floresta nativa. Várias variáveis relacionadas à biometria de frutos, germinação, crescimento inicial e índices de qualidade de mudas foram mensuradas no sentido de comparar mudas de B. excelsa produzidas por sementes originadas de duas áreas e também quanto à posição de sementes no fruto, inferior e superior. Comprimento e diâmetro do fruto apresentaram baixa variação e a maioria dos frutos teve forma achatada. As sementes foram mais abundantes na posição inferior (média = 12,9 ± 2,2) do que na posição superior (média = 6,5 ± 2,1) no interior do fruto. Considerando o número total de sementes por fruto, as médias foram 9,4 ± 3,2 e 17,5 ± 3,7 para floresta plantada e nativa, respectivamente. A germinação completa não diferiu entre as áreas (F1, 56 = 1,945, p = 0,169). Mudas produzidas com sementes de plantios e da posição inferior no interior do fruto apresentaram maiores índices de qualidade.


Palavras-chave


castanha-do-pará; índices de qualidade; germinação de sementes; produção de mudas florestais

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