Biofortificação agronômica com zinco em cultivares de alface crespa - DOI:10.5039/agraria.v15i4a8456

Patricia Diniz Graciano, Ana Carolina Pires Jacinto, Aline José da Silveira, Renata Castoldi, Tatiane Melo de Lima, Hamilton César de Oliveira Charlo, Isadora Gonçalves da Silva, Marcus Vinícius Marin

Resumo


Em países subdesenvolvidos, a deficiência de zinco é um problema de saúde pública. Os principais alimentos consumidos nesses países apresentam baixos teores do nutriente, tornando seu consumo insuficiente para atender aos requerimentos mínimos diários. Diante disso, objetivou-se avaliar a biofortificação agronômica com zinco, em cultivares de alface crespa. O experimento foi realizado na Universidade Federal de Uberlândia - Campus Monte Carmelo, utilizando delineamento de blocos casualizados, em esquema fatorial 4 × 5 com quatro repetições. Os fatores consistiram em quatro cultivares de alface crespa (Brida, Isabela, Thaís e Vanda) e cinco doses de zinco foliar (0, 400, 800, 1200 e 1600 g ha-1). Avaliaram-se os seguintes caracteres: teor foliar de zinco, altura de planta, índice SPAD, massa fresca total, diâmetro do caule, diâmetro da cabeça, número de folhas por planta e produtividade média estimada. Os dados foram submetidos à análise de variância, pelo teste F (α = 0,05) e as médias foram comparadas pelo teste Tukey a 5% de probabilidade e análises de regressão. De acordo com os resultados obtidos, a cultivar Thaís destacou-se por acumular o maior teor de zinco na folha. É recomendável o uso de 700 g ha-1 de zinco via foliar para obter alface biofortificada com maior produtividade.

Palavras-chave


aplicação via foliar; Lactuca sativa; nutrição de planta; doses de zinco

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