Regeneração natural de espécies lenhosas e herbáceas em áreas de restauração ecológica na Floresta Atlântica - DOI:10.5039/agraria.v15i4a8160

Guilherme José Mores, Cristiani Spadeto, Patrícia Borges Dias, Aline Ramalho dos Santos, Sustanis Horn Kunz

Resumo


A regeneração natural das florestas é uma das mais importantes ferramentas para inferir sobre o comportamento dos processos de restauração florestal. Neste contexto, o objetivo deste estudo foi avaliar a regeneração natural em uma área de Floresta Ombrófila Densa das Terras Baixas após 8 anos da implantação do projeto de restauração. A área foi composta por seis tratamentos (fatorial 3 × 2), sendo três níveis de riqueza de espécies e dois espaçamentos) e três repetições, em blocos casualizados. Em cada tratamento e na floresta madura foram demarcadas três parcelas de 5 × 10 m, identificando todos os indivíduos lenhosos e herbáceos. Foi calculada a diversidade florística (H’) e a equabilidade (J’), além da Análise de Correspondência Distendida (DCA). A diversidade florística e equabilidade foram baixas nas áreas em processo de restauração (H’ = 1,82 nats indiv-1 e J’ = 0,51). A DCA resultou na formações de grupos distintos, que diferem a floresta madura da área em processo de restauração. Em todos os tratamentos foi registrado grande número de indivíduos herbáceos (3.963), o que pode ter influenciado negativamente no estabelecimento dos indivíduos lenhosos (351). As análises revelaram que os tratamentos compartilham muitas espécies arbóreas e herbáceas, reforçando que o plantio com maior riqueza não é garantia de sucesso do estabelecimento da regereração natural com alta diversidade. 


Palavras-chave


ecossistema de referência; sucessão secundária; floresta de tabuleiro

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